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Taboão da Serra já abrigou uma das maiores indústrias de vacinas e soros da América Latina

Antes mesmo da emancipação do município, o Instituto Pinheiros foi referência científica internacional e deixou marcas profundas na história local

26/01/2026 às 14h33 Atualizada em 26/01/2026 às 14h42
Por: Por Elizeu Teixeira Filho-Taboão da Serra Notícias Fonte: Elizeu T. Filho
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Instituto Pinheiros foi um grande marco para a história de Taboão da Serra - Foto: Jose Tavares
Instituto Pinheiros foi um grande marco para a história de Taboão da Serra - Foto: Jose Tavares

Taboão da Serra, antes de se tornar município, um empreendimento de importância científica internacional já funcionava em seu território: o Instituto Pinheiros. Fundado em 1928, o instituto tinha como objetivo aplicar, em escala industrial, os avanços da ciência no campo da imunologia e da profilaxia de doenças contagiosas, tornando-se, em poucas décadas, uma das maiores indústrias farmacêuticas do Brasil e do hemisfério sul.

Na década de 1940, o Instituto Pinheiros já era considerado o maior produtor de soros da América Latina, fabricando antitetânicos, antidiftéricos, antiofídicos, entre outros imunobiológicos essenciais para a saúde pública. A produção era sustentada por um complexo sistema científico e por rigorosos processos de controle de qualidade.

O instituto também se destacava pelo seu serviço antirrábico, apontado à época como referência, permitindo que pessoas mordidas por animais recebessem tratamento sem precisar se deslocar para grandes centros urbanos. Outro dado que impressiona é o serpentário, por onde passavam anualmente entre 10 e 15 mil cobras venenosas, enviadas de diferentes estados do país.

A fazenda do Instituto e a formação de Taboão da Serra

Parte essencial dessa história está ligada à antiga Fazenda do Instituto Pinheiros, instalada em área que hoje integra Taboão da Serra. A sede administrativa do laboratório ficava na cidade de São Paulo, na rua Teodoro Sampaio, mas a fazenda concentrava atividades fundamentais para a produção e pesquisa científica.

A entrada principal localizava-se na antiga Estrada de Itapecerica, atual Rodovia Régis Bittencourt, na altura do número 937. Para se ter uma ideia da dimensão da área, suas terras se estendiam da rodovia até a região da estrada Kizaemon Takeuti, abrangendo espaços que, com o passar do tempo, deram origem a bairros residenciais, áreas industriais e importantes empreendimentos do município.

Grande parte dos funcionários do Instituto Pinheiros era formada por moradores da região, e muitos viviam dentro da própria fazenda. Entre eles estava Nicola Vivilechio, que mais tarde se tornaria o primeiro prefeito de Taboão da Serra. Já os professores, pesquisadores e diretores vinham, em sua maioria, da capital paulista.

Rigor científico e reconhecimento internacional

A qualidade dos produtos fabricados pelo Instituto Pinheiros era assegurada por um controle extremamente rigoroso. Mensalmente, os laboratórios realizavam cerca de 5 mil dosagens químicas, 3 mil testes de esterilidade, quase mil dosagens biológicas e centenas de provas de inocuidade, garantindo alto padrão de segurança e eficácia.

Após cerca de 20 anos de atividade, o instituto acumulava um capital estimado em 20 milhões de cruzeiros, empregava mais de 700 funcionários e mantinha uma estrutura comercial que se estendia por toda a América Latina, iniciando inclusive operações no mercado europeu.

O fim de um marco histórico

Apesar de sua relevância científica, econômica e social, o Instituto Pinheiros acabou sendo desativado. A fazenda foi vendida de forma gradual, dando origem a grandes loteamentos. Parte das operações foi transferida para outras regiões do país, e o setor de soroterapia foi doado ao Instituto Butantan, devido aos elevados custos de manutenção.

O encerramento das atividades provocou forte impacto na vida de ex-funcionários e moradores ligados ao instituto. Relatos indicam que muitas famílias perderam suas casas e sua principal referência de trabalho.

Décadas depois, a memória do Instituto Pinheiros ainda desperta emoção entre antigos colaboradores, que recordam com tristeza o fim de um empreendimento símbolo de progresso.

Hoje, embora pouco conhecido por grande parte da população, o Instituto Pinheiros ocupa um lugar fundamental na história de Taboão da Serra, tendo contribuído diretamente para a formação urbana, social e econômica do município.

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